sábado, 14 de junho de 2014

Distúrbios por Deficiência de Iodo (DDI)

Os distúrbios por deficiência de Iodo são assuntos tratados pelo PCAN, ramo do Departamento de Atenção Básica que trata da Prevenção e Controle dos Agravos Nutricionais.
Em relação à magnitude dessa carência, suas implicações na saúde e seu impacto para o desenvolvimento socioeconômico de uma nação, verifica-se que a deficiência de iodo é um grave problema de saúde pública em muitos países. Estima-se que 1,6 bilhão de pessoas vivem em áreas onde essa deficiência é recorrente, estando, portanto, em risco de apresentar algum distúrbio por deficiência de iodo. A deficiência acontece, principalmente, nas regiões montanhosas ou sujeitas a frequentes inundações, que retiram o iodo do solo, prejudicando, dessa forma, a adequada ingestão desse mineral por parte da população.
 A deficiência de iodo é uma das maiores causas de retardo mental e danos cerebrais no mundo. Também é responsável pela redução do crescimento e do desenvolvimento infantil, trazendo sérias consequências às crianças, tais como: apatia, baixa estatura, atraso no desenvolvimento cerebral, entre outros. Além desses problemas, a DDI contribui para o aumento do gasto com atendimento em saúde e em educação, uma vez que contribui para a elevação das taxas de repetência e de evasão escolar, e ainda proporciona a redução da capacidade para o trabalho. Portanto, direta ou indiretamente, acarreta prejuízos sócio-econômicos ao país. Sendo assim, as estratégias dirigidas a controlar a deficiência de iodo devem ser contínuas e fundamentalmente preventivas, especialmente quando se destinam aos grupos de risco: gestantes, nutrizes e crianças menores de dois anos de idade.
A representação gráfica a seguir evidencia as principais consequências da carência de iodo e sua recorrência na população brasileira. É o chamado iceberg dos distúrbios associados à deficiência de iodo:
  

As fontes de origem animal do iodo são usualmente os produtos do mar, pois os oceanos possuem quantidades consideráveis desse elemento químico. Pode-se citar como fontes de iodo de origem animal: sardinhas, atum, ostras e moluscos. Outras fontes são o leite e derivados, além de ovos provenientes de regiões onde os animais são alimentados com rações enriquecidas com iodo, ou, no caso do leite, pastaram em áreas com adequada quantidade de iodo. Ou seja, o iodo disponível nos alimentos dependerá da procedência destes últimos e, consequentemente, do iodo disponível no solo ou na água.

A importância do Iodo decorre do fato dele ser necessário para o funcionamento adequado da tireoide.  A tireóide é responsável pela secreção de iodo orgânico, basicamente na forma de tiroxina (T4) e pequena quantidade de triiodotironina (T3). A síntese e a secreção dos hormônios tireóideos são reguladas por fatores extratiróideos ou intratiróideos e, entre os extratiróideos, o hormônio tirotrofina (TSH) exerce importante papel.
Após a produção dos hormônios tireóideos, estes são liberados na corrente sanguínea e passam a exercer importantes funções em distintos processos químicos em várias partes do corpo humano. São importantes, por exemplo, para o adequado desenvolvimento e funcionamento do cérebro e do sistema nervoso, além da manutenção da temperatura corporal. Em situações de deficiência de iodo, ocorre interferência na produção dos hormônios tireóideos, o que leva a aumento na secreção da tirotrofina(TSH). Essa tirotrofina estimula a tireóide a aumentar a produção de seus hormônios, levando a hiperplasia das células, o que conduz a aumento no tamanho da glândula. Como consequência dessa estimulação contínua, ocorre o desenvolvimento do bócio.
Existem alguns indicadores bioquímicos capazes de denunciar a deficiência de iodo no organismo. A excreção urinária do iodo é um bom indicador bioquímico, já que a maior parte do iodo ingerido e absorvido é excretado na urina. Portanto, esse indicador é um bom marcador da ingestão dietética prévia de iodo. A dosagem de TSH também é outro indicador bioquímico que deve ser investigado. Em situações nas quais existe redução de iodo, com baixa concentração de hormônios tireóideos, ocorre estimulação da produção do TSH, como uma tentativa de aumentar a produção dos hormônios na tireóide. O nível sangüíneo de TSH reflete diretamente, portanto, a disponibilidade e a adequação dos hormônios tireóideos, sendo o melhor teste diagnóstico para a determinação do hipotireoidismo.
Apesar da quantidade de iodo requerida pelo organismo humano ser mínima, o fato do iodo não poder ser estocado no organismo por longos períodos faz com que pequenas quantidades sejam necessárias diariamente. Logo, os programas de prevenção e controle da deficiência de iodo devem procurar garantir que todo sal para consumo humano, tanto importado quanto localmente produzido, esteja adequadamente iodado.
O Programa de Combate aos Distúrbios por Deficiência de Iodo no Brasil - Pró Iodo, é uma das ações mais bem sucedidas no combate aos distúrbios por deficiência de micronutrientes e tem sido elogiado pelos organismos internacionais pela sua condução e resultado obtido na eliminação do bócio endêmico no País. Entre as ações, a iodação universal do sal para consumo humano e o monitoramento e fiscalização das indústrias salineiras são as principais responsáveis pelo sucesso do programa, desenvolvido pelo Departamento de Atenção Básica.
  

Fontes:

http://www.ufrgs.br/lacvet/restrito/pdf/iodo.pdf 
http://dab.saude.gov.br/portaldab/ape_pcan.php?conteudo=deficiencia_iodo
     Brasil. Ministério da Saúde. Unicef. Cadernos de Atenção Básica: Carências de
         Micronutrientes / Ministério da Saúde, Unicef; Bethsáida de Abreu Soares Schmitz. -
     Brasília: Ministério da Saúde, 2007.

 
 

10 comentários:

  1. Na primeira metade do século 20, vários pesquisadores observaram uma alta prevalência de bócio nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país, tanto maior quanto mais distante fosse a localidade do litoral, revelando a disponibilidade desse elemento nas regiões litorâneas. Interessante ver como um simples elemento pode fazer tanta falta no organismo humano. Muito interessante a preocupação governamental para solucionar esse problema a partir da iodação obrigatória de sal para consumo humano e animal, medida que ja vem desde o Presidente JK. Curiosamente, os índios pré coloniais não tinha problemas com carência de iodo, mesmo aqueles que viviam longe do litoral, revelando uma mudança de habito alimentar na atualidade que nos faz precisar de suplementação de iodo no sal.

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  3. O sal de cozinha, apesar de em excesso causar problemas cardiovasculares, é importante principalmente pela presença do Iodo adicionado industrialmente. Nesse quesito, o Programa mencionado no post foi bem sucedido. Porém, vale lembrar que o sal dos alimentos prontos não contém Iodo, pois a lei obriga a adição de Iodo somente no sal de cozinha.
    Nesse sentido, torna-se importante o uso do meio jurídico para suprir deficiências alimentares, a exemplo desse programa no Brasil. No entanto, mesmo com essa lei o país ainda tem pessoas que apresentam problemas referentes à falta de Iodo, principalmente nos interiores do Brasil devido à falta de condições financeiras e de acessibilidade para adquirir o sal de cozinha industrializado.
    O nosso solo não é rico em Iodo e por isso a adição dele artificialmente na alimentação se faz necessária.

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  4. É importante ressaltar também que as consequências mais sérias da falta de iodo ocorrem em mulheres grávidas ou que amamentam seus filhos. Iodo suficiente e, consequentemente, hormônios de tireoide suficientes, são fundamentais para o desenvolvimento normal do cérebro e sistema nervoso. O distúrbio mais grave causado pela deficiência de iodo durante a gravidez é o cretinismo, uma condição de atraso no desenvolvimento físico e retardo mental, como citado na postagem. Mas mesmo uma leve deficiência de iodo durante a gravidez pode estar associada a uma baixa inteligência em crianças.

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  5. Importante discutir também outras estratégias que podem ser mais adequadas a certas situações específicas, como o uso de cápsulas de iodo, a iodação da água ou a fortificação de outros alimentos. Programas que usam o óleo iodado têm sido limitados a áreas com grave deficiência de iodo, onde a distribuição e o consumo do sal iodado são precários e onde há previsão de implantação de um programa a longo prazo. É considerado, portanto, um método emergencial, que deve ser utilizado em curto prazo, até que medidas efetivas sejam executadas para a iodação do sal.

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  6. Além de causar problemas durante a gravidez, a deficiência de iodo também é bastante perigosa na primeira infância, já que causa danos cerebrais irreversíveis. O iodo é necessário para o correto funcionamento do organismo, apesar de quase nunca ouvirmos falar dele. O Ministério da Saúde incentiva a adição de iodo ao sal de cozinha, assegurando as condições para a aplicação da medida, em parceria com a ANVISA e com o setor produtivo salineiro.

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  7. Com a leitura da postagem, vi que muitos problemas estão relacionados com a DDI. Pesquisando um pouco mais, assustei-me com a quantidade de outros males que isso pode causar. Depressão, desaceleração dos batimentos cardíacos, intestino preso, menstruação irregular, falhas de memória, cansaço excessivo, dores musculares, pele seca, queda de cabelo, ganho de peso e aumento de colesterol no sangue estão entre os sintomas do hipotieroidismo. O Hipotireoidismo congênito pode ser detectado no teste do pezinho, e, em caso positivo, o tratamento deve iniciar imediatamente, com o uso do medicamento levotiroxina. Outra curiosidade é que a compra desse remédio deve ser evitada em farmácias de manipulação, uma vez que a dosagem (25 - 200 microgramas) eleva a possibilidade de erro na produção. É interessante saber o quanto a deficiência de um nutriente que pouco é discutido no meio social pode prejudicar o organismo.

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  8. Fica muito clara a importância do Iodo na alimentação quando se conhece a atuação dos hormônios tireóideos , que possuem uma ampla gama de ações no organismo. A diferenciação, migração, proliferação de neurônios e sinaptogênese, assim como diferenciação de células da glia são processos regulados por esses hormônios e ,então, se explica por que a deficiência de Iodo causa retardo mental. Além disso, boa parte de nossa homeostase tem a ver com a presença desses hormônios no organismo.

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  9. Quando formos pensar em soluções para a deficiência de iodo na população é importante lembrar que o uso de suplementos poder ser perigoso, pois, mesmo que o iodo seja excretado diariamente, o excesso de iodo pode causar danos graves ao organismo da mesma forma que a falta. A ANVISA aponta, segundo o Comitê de Nutrição da Organização Mundial de Saúde, que o excesso de iodo pode levar o indivíduo a ter um hipertireoidismo clínico e subclínico (bócio nodular) em idosos, e tireoidite autoimune (síndrome de Hashimoto) em parcela da população geneticamente suscetível a ela. Essa doença atinge as mulheres, na qual o próprio organismo produz anticorpos contra a glândula tireoide, levando a uma inflamação crônica que pode acarretar o aumento de seu volume (bócio) e diminuição de seu funcionamento (hipotireoidismo). Dessa forma, acredito que a iodação do sal de cozinha já é suficiente para resolver a questão da falta de iodo. O grande problema, na realidade, se encontra no acesso de toda a população brasileira ao sal iodado, que ainda é bastante deficiente no interior do país.

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