domingo, 25 de maio de 2014

Carência de vitamina A: Sintomas e estratégias de combate



vitamina A


Como dito no post anterior, a carência de vitamina A ainda é um dos problemas nutricionais mais resistentes em alguns países, mesmo que esta deficiência tenha sintomas de fácil identificação e que o tratamento seja conhecido e, relativamente, simples.  É importante, portanto, conhecer e utilizar os indicadores clínicos e bioquímicos relacionados à carência de vitamina A, para promover estratégias corretas de controle e prevenção dessa deficiência. 
Os níveis adequados de vitamina A no organismo são imprescindíveis, já que essa vitamina possui papel fisiológico muito diversificado, agindo, por exemplo, no funcionamento correto do processo visual, na integridade do sistema epitelial e no sistema imunológico.
A ação da vitamina A na visão ocorre em função de sua combinação com a opsina nos bastonetes da retina. A opsina é uma proteína que produz a rodopsina – pigmento visual dos bastonetes que participa do processo visual em condições de pouca luminosidade. Quando há carência de vitamina A, ocorre retardo no tempo de adaptação à obscuridade. Ou seja, torna-se mais difícil a adaptação a um ambiente com pouca luminosidade. Esse efeito provocado pela carência de vitamina A é um de seus indicadores clínicos e é conhecido como cegueira noturna.
Além disso, a vitamina A possui ação junto às células produtoras de queratina – proteína que protege o corpo da desidratação - em diversos tecidos epiteliais. Assim, a deficiência dessa vitamina pode gerar ressecamento epitelial, condição conhecida como xerose, tipicamente encontrada na conjuntiva e na córnea. A vitamina A atua, ainda, nos processos de manutenção da imunocompetência. Logo, sua ausência prejudica as funções imunológicas do organismo.
Entre as fonte de vitamina A estão o leite materno, folhas de cor verde-escura (como o caruru), os frutos amarelo-alaranjados (como a manga e o mamão), ovos, fígado, as raízes de cor alaranjada (como a cenoura) e os óleos vegetais (óleo de dendê, pequi e pupunha). Porém, alguns fatores como má absorção de gordura e os parasitas intestinais, tais quais o Ascaris lumbricoides e a Giardia lamblia, podem dificultar a absorção de vitamina A, mesmo que suas fontes sejam ingeridas.

Fontes de vitamina A





Para prevenir e controlar a deficiência de vitamina A, desde 1983, o Ministério da Saúde distribui cápsulas de vitamina A para crianças de 6 a 59 meses de idade, com dosagens variadas, nos Estados da Região Nordeste e no Estado de Minas Gerais. Tal distribuição vem sendo feita associada às campanhas de vacinação, na rotina das unidades básicas ou ainda por visitas domiciliares feitas pelos Agentes Comunitários de Saúde. Em 2001, o programa foi ampliado para atendimento às puérperas, com o objetivo de garantir a adequação das reservas corporais maternas, pois, dessa forma, o leite materno garantirá suprimento suficiente da vitamina A entre as crianças que estão sendo amamentadas.
Em 2004, o programa foi, novamente, reestruturado, com o objetivo de  promover maior divulgação e mobilização dos profissionais de saúde e população, através da criação da marca publicitária: VITAMINA A MAIS.
 








Em geral, as principais formas de ação em relação aos programas de nutrição e saúde pública são a suplementação de megadoses de vitamina A, enriquecimento de alimentos com vitamina A e o estímulo à produção e ao consumo de alimentos fontes de vitamina A. Todas essas são ações desempenhadas pelo Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A, desenvolvido pelos agentes da Atenção Básica.


Fontes: 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Rodopsina
http://pt.wikipedia.org/wiki/Queratina
              Brasil. Ministério da Saúde. Unicef. Cadernos de Atenção Básica: Carências de
              Micronutrientes / Ministério da Saúde, Unicef; Bethsáida de Abreu Soares Schmitz. -
              Brasília: Ministério da Saúde, 2007

8 comentários:

  1. O post faz bem em ressaltar a gravidade dos sintomas dessa deficiência que, apesar de ser séria, pode ser facilmente encontrada, principalmente no Brasil. Um exemplo claro disso é o nordeste, onde cerca de 50% das crianças apresentam carência dessa vitamina.A difusão do conhecimento sobre a importância dessa vitamina e de seus benefícios é, assim, de caráter essencial à saúde pública.

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  2. É extremamente importante esse tipo de ação mprincipalmente em regioes como o Nordeste. Isso por que, infelizmente a educação e as condiçoes financeiras necesssraias pra manutençao de uma boa saude alimentar nao sao tao difundidas nessa região

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  3. Espero que o programa esteja realmente funcionando. O Brasil se gaba como potência regional, mas nem sequer resolveu o problema da carência de sua população mais pobre. Existe, ao meu ver, uma contradição no modelo de gestão, principalmente dos municípios. Postagem bastante informativa!

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  4. Importante citar que, além de ser responsável pela cegueira noturna, por problemas imunológicos e outros sintomas acima citados, a falta de vitamina A já chegou a ser associada a 23% das mortes por diarreias em crianças, segundo pesquisas antigas da UNICEF. Muito importante trazer à tona o fato que de as avitaminoses ou hipovitaminoses são questões mais sérias do que aparentam.

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  5. Bom saber como a vitamina A atua e omo sua falta provoca a chamada cegueira noturna, dentre outros distúrbios. Assim é ncessário incentivar ainda mais o aleitamento materno para que as crianças recebem as doses necessárias de vitamina A diária, além de formular uma alimentação saudável e acessível para as mães de forma que o leite tenha boa qualidade de nutrientes para a criança.

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  6. Um dos aspectos que mais me chamo atenção na postagem foi a grande participação de alimentos com tons amarelo-alaranjados como fontes de vitamina A. Isso se deve ao fato de esses alimentos conterem os chamados carotenoides, que são dessa cor, e estão intimamente ligados à ingestão de vitamina A para o organismo. A importância desse composto, principalmente para o combate à cegueira noturna, fortalecimento do sistema imunológico, é também algo marcante. Mas outro fator que deve ser enfatizado é que alguns endoparasitas "atrapalham" a absorção da vitamina A, mesmo com a ingestão correta, como o Ascaris lumbricoides e a Giardia lamblia, parasitas que estão intimamente ligados à pobreza. Dessa forma, faz-se necessário um conjunto de ações para melhorar as condições de vida dos mais pobres, para que não venham a contarir esses e outros parasitas que possam prejudicar funcionalmente o corpo.

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  7. Achei interessante a iniciativa do Ministério da Saúde em distribuir cápsulas de vitamina A para a população, entretanto penso que se essas pessoas tivessem uma alimentação adequada não haveria necessidade do uso de suplementos, uma vez que estes podem ser prejudiciais ao corpo, principalmente ao fígado caso ingeridos em grandes quantidades ou sem os devidos cuidados. É bom lembrar que o quadro de hipervitaminose da vitamina A é tão grave quanto sua deficiência: visão turva, ressecamento da pele, emagrecimento, cefaléia, náuseas, palidez, dor nos ossos, entre outros.

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  8. É interessante também lembrar que a vitamina A é lipossolúvel e que sua absorção depende também da ingestão de lipídios. Sendo assim, a campanha que distribui suplementos de vitamina A deve ir além, informando sobre as formas naturais de consumir e absorver essa "amina vital". Além disso, políticas públicas para facilitar a obtenção desses alimentos ricos em vitaminas por essas pessoas são necessárias.

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